Um Dia de Caubói

Eu ainda era jovem e não me importava muito com rodeio. Mas um dia minha namorada me convidou para irmos a um rodeio que todo ano realizava na cidade.

Vamos, meu amor, é muito bom. Tem muita gente, e a gente se diverte muito com a montaria.

Aí eu pensei: Bom, já que ela gosta, então eu vou.

Quando chegamos ao rodeio, eu achei estranho a coragem dos caubóis. “Como eles têm coragem de montar naqueles animais bravos?”, pensei. Mas aos poucos fui me envolvendo com o clima, os aplausos, enfim, eu achei tudo aquilo contagiante. Aí eu decidi: “No próximo rodeio, eu vou montar num cavalo.”.

Os dias foram passando, e a ideia foi ficando cada vez mais convicta na minha cabeça. Minha namorada a princípio achou engraçado e dizia:

Você está louco! Aqueles caubóis passaram à vida toda montando. Eles estão preparados, sabem montar. Se você montar num cavalo, vai cair, vai se machucar.

Mas eu estava decidido, e nada iria mudar a minha convicção. Eu pensei até que não precisaria nem de treinar. Eu acreditava que era só chegar, montar, ficar oito segundos sobre o animal e, quando passasse esse tempo, pular e cair na areia, recebendo o aplauso do público.

Meu pai me dizia que eu estava louco, porque, segundo ele, era necessária uma vida de dedicação para que alguém pudesse montar num cavalo.

Minha mãe ficou desesperada: Não faça isso, meu filho! Você pode até morrer, disse.

Os dias foram passando, e eu comprei fitas cassetes para assistir aos rodeios e saber como era que os cavalos pulavam.

Quando se aproximou o dia do rodeio, eu fui fazer a inscrição:

Quem vai te patrocinar?

Eu pensei: Puxa! Tem que ter patrocinador?

Aí um amigo meu que era vereador me disse que me patrocinaria.

Quando a gente vai montar, a gente oferece a montaria para o patrocinador, e o locutor fala o nome dele.

Mas chegou à hora da montaria por que eu esperei com tanta ansiedade. O vereador que me patrocinou se chamava Katy, mas o locutor se confundiu e disse: “Ele vai oferecer a montaria para a Kátia. Deve ser a namorada dele…”.

Eu já estava montado no cavalo e me preparava para o grande momento. Naquele instante veio um frio na barriga. Eu pensei até em desistir, mas àquela altura isso não era mais possível.

Quando abriram à porteira, veio um arrependimeeeento!…

Quando o cavalo subia, eu dava um suspiro profundo: “Aaahh!”. Parecia até que iria me sufocar. Quando suas patas batiam no chão, meu corpo recebia um choque tão grande que parecia que meu coração iria cair pela boca.

Quando já estava no terceiro pulo, passou pela minha cabeça uma vaga ilusão: “E eu que estou bom nisso!”. Mas, antes que eu concluísse o pensamento, já estava com a cara no chão.

Fim.

 
 
 


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